Quem melhor fez o mais difícil

A montagem de um filme é uma das técnicas que mais dialoga com as demais, em especial a direção e o roteiro. A edição deve tomar cautela, por exemplo, com a continuidade para não prejudicar a narrativa. A montagem é a ultimo dos trabalhos antes de finalizar uma obra cinematográfica. É o momento em que os responsáveis pelo filme, principalmente diretor e editor, sentam e estabelecem os seus objetivos com a narrativa por meio da edição. Imaginem só o trabalho que dá montar os diversos ângulos, por diversas câmeras, com vários movimentos, filmados tudo separadamente e manter tudo em seu devido lugar, em sua devida sequência.


Vamos as 5 melhores montagens do ano, em ordem aleatória.

                                                           
                                                             SICÁRIO  (SICÁRIO) 


WHIPLASH (WHIPLASH)


                                                                   BLIND (BLIND)


                                                CORRENTE DO MAL (IT FOLLOWS)


MAD MAX - ESTRADA DA FÚRIA (MAD MAX - FURY ROAD)

Do papel para as telonas


O erro mais comum quando se trata da definição de Roteiro cinematográfico é confundi-lo com a história do filme, em um todo. Não. Roteiro vai muito além disso, embora os elementos que a história possui faz, também, roteiro construir as suas originalidades.  
Tentando ser prático: quando você planeja uma viagem, você já pré-visualiza os lugares que irá passar (espaço), o que irá ver primeiro e por ultimo (plano, quadro...), quem encontrará (personagens) e o que precisará falar (diálogos) e dentro dessa rota, muita coisa pode acontecer para se atribuir o texto final dessa experiência.
Assim segue o roteiro, como um discurso verbal, escrito de forma a permitir a pré-visualização do filme por parte do diretor, dos atores, dos técnicos, etc. Sua qualidade pode ser destacada por diversas maneiras, mas geralmente o que o enaltece é a sua criatividade e condução que precisa ser bem amarrada em seu desfecho, sem deslizes, buracos ou alguma solução de intriga que não calhe com a obra.
Dada uma possível e simples definição – já que o roteiro só se concretiza quando se torna filme –, vamos aos 5 melhores roteiros de 2015:







"Na selva de pedras, resiste uma flor"


QUE HORAS ELA VOLTA? (2015)
Direção: Anna Muylaert
Elenco: Regina Casé, Michel Joelsas, Camila Márdila, Karine Teles.

                                 ロロロロロ

Só à arte tem à capacidade de elevar à simplicidade à um estágio de extrema riqueza. Somente à arte mergulha no nosso aglomerado universo emocional e lá faz enternecer as emoções que nós, sujeitos tão enraizados no solo da realidade, já não somos mais capazes de deixar florescer. Apenas a arte revela Regina Casé, grande atriz, grande mulhé. O que se finaliza em Que horas ela volta? É a sua sutileza, delicadeza, pureza e qualquer outro adjetivo que tenha um caminhar pelo terreno da genuinidade.

Na selva de pedras, resiste uma flor. Quão deslocada ela é sendo tão sensível, se vendo em espaço tão resistente, indisposto ao amor.  Val, a mulhé nordestina que trabalha em uma casa de alta renda, que estrutura a mansão da família... Desestruturada. Val que não sabe o que é vestibular, muito menos Arquitetura e Urbanismo, mas que se lança na vontade da filha, como dona do sonho da cria. Se for a vontade de Jéssica, que assim seja. “Boa sorte, fia!”, grita a mãe, embaixo de chuva, pois é do nordeste, onde mais se tenta a sorte nesse Brasil.

Anna Muylaert entrega uma comédia dramática que divide, na mesma sala, o público entre o tocante e o alegre, com lágrimas que se confundem entre o choro e o riso. A inteligência técnica na câmera da diretora, ao criar os enlaces de dois tipos de mães, refletindo dois tipos sociais, constrói a sutileza crítica que faz muitos rirem do próprio crime, como opressores que se denunciam em suas risadas. Regina Casé − em um deslumbre de atuação − com seus passos cansados nos chinelos rastejantes ao chão, de corpo travado e gestos tão bem encaixados nos timings de suas falas, registra o amor às raízes − ainda que raízes sofridas – como resultante das cruzes de tempos difíceis de outrora, de outro lugar que dava como melhor alternativa a fuga e a dor da saudade.


O nosso representante na corrida do Oscar de 2016 não se diminui por ser um exemplar da típica frase de já ser um vitorioso, ainda que não venha a ser indicado. É um filme para a vida. É um filme para a história.

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