Os melhores do Cinema no ano do 7x1


Com um considerado atraso, compactei os dez melhores filmes de 2014 com base nos lançamentos nas telonas brasileiras, assim como na televisão (a exemplo de “Temporário 12”) ou direto em DVD. A delonga também se deve a demora para o vazamento de obras como o canadense “Mommy” e o argentino  “Relatos Selvagens”, ao qual fui vitima da dificuldade de alguns  filmes desse caráter atingir um maior número de salas para exibição. Minha publicação só não é mais atrasada do que o lançamento de “Mais um Ano”, que esperou cerca de meia década para chegar por aqui (e não é motivo para ficar fora do top, como alguns erroneamente justificam a ausência deste em suas listas). No mais, 2014 foi um ano de médias obras, que mais aglomerou obras razoáveis do que realmente emplacou resultados que supriram o que prometiam. 2013, com isso, permanece um ano com maior número de obras de bom nivelamento. A lista, como de costume, não denomina as colocações, apenas junta uma dezena de destacáveis. Vamos a ela.





O Lobo atrás da Porta, de Fernando Coimbra

Mommy, de Xavier Dolan

Sob a Pele, de Jonathan Glazer

Temporário 12, de Destin Daniel Cretton


 Mais um Ano, de Mike Leigh

Cores do Destino, de Shane Carruth


Oslo, 31 de Agosto , de Joachim Trier

Balada De Um Homem Comum, de Joel Coen e Ethan Coen

Nebraska, de Alexander Payne


Relatos Selvagens, de Damian Szifron



Sim. Sem Boyhood. 



Quem melhor fotografou em 2014

Um dos elementos mais encantadores do cinema é a sua Fotografia, que no inglês possui seu nome próprio Cinematography. Simplificando, esse fator é percebido como se a lente da câmera, em cada quadro, conseguisse dar ao espectador uma imagem que, caso paralisada, formaria um shot perfeito. Obviamente as coisas vão além: exige um trabalho magistral para conseguir que cada enfoque se torne um vislumbre para os olhos e fazer com que o comando das escolhas das imagens se torne autêntico o suficiente para desenvolver a própria história e dar a direção o suporte para a precisão da narrativa visual. A qualidade real de um filme muitas vezes pode ser designada por essa competência, tamanha a responsabilidade que um diretor de fotografia possui. Visto isso, vamos às cinco melhores fotografias do ano.

 #5 O Grande Hotel Budapeste (Dir. de Fotografia Robert Yeoman )

Tendo uma de suas indicações ao Oscar 2015 direcionado para esse quesito, a fotografia de Budapest Hotel ganha destaque por seu contraste entre o gélido clima e o calor das cores do Hotel. O figurino consegue se harmonizar magistralmente com os ambientes e assim colabora com os aspectos fotográficos da obra. É se unificando com a precisa direção de Wes Anderson, a impecável Direção de Arte e o Figurino, que a Fotografia aqui consegue seu destaque. 

#4 Nebraska (Dir. de Fotografia Phedon Papamichael)

A retomada da estética preto e branco nos anos 2000 tem entregado fotografias primorosas e com Nebraska, de Alexander Payne, não foi diferente. Contribuindo para a frieza do roteiro e a vida estática dos personagens, aqui os fatores fotográficos se mostram harmonizados com a aura de suas figuras e coerente com os destinos da narrativa. O filme, ano passado, foi indicado também ao prêmio de melhor fotografia do ano.

#3 Ida (Dir. de Fotografia Ryszard Lenczewski)

O filme polonês, favorito ao prêmio de melhor filme estrangeiro do ano, traz uma fotografia que também usa do artifício Preto e Branco para contribuir com a gélida ambientação e clima presente na obra. Aqui, cada quadro é um primor e o capricho não foge aos nossos olhos, sabendo encaixar os objetos (inclusive os personagens) no lugar certo, mostrando que as mãos dadas com a direção é o que o torna tão grande. O longa  também conseguiu vaga dentre os nomeados a melhor fotografia do  no Oscar 2015.


#2 Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Dir. de Fotografia Bruno Delbonnel)

Certamente o trabalho mais inspirador de Bruno Delbonnel (conhecido por fotografar “Fausto” de Sokurov), de uma peculiaridade que realmente traz admiração a cada quadro desenhado. O filme dos Irmãos Coen não utiliza do Preto e Branco, mas com sua fotografia consegue os efeitos sensoriais quanto a sua ambientação gélida e nebulosa, trabalhada tanto em ambientes externos, quanto internos. A compatibilidade com o desenvolvimento de seu personagem principal também a de ser destacada, enaltecendo o caráter pessimista e amargo de sua vida. O longa recebeu indicação ao Oscar nessa categoria no ultimo ano.


#1 Cores do Destino (Dir. de Fotografia Shane Carruth)

O que difere o longa “Cores do Destino” (Upstream Color) dos demais filmes mencionados é o método usado para destacar a sua fotografia:   trabalha com os ambientes naturais e com as próprias cores da natureza, além de mostrar , também, um grande controle de iluminação, e de um proveito singular do zoom, dos enfoques e  desenfoques para entregar a melhor fotografia do ano. Tudo isso foi possível graças a Shane Carruth que, além de diretor, roteirista, editor  e designer também é responsável pela fotografia e assim se vê o porquê esse fator se encontra maravilhosamente bem controlado pela câmera, para resultar no primoroso aspecto fotográfico.

Os melhores do Brasil em 2014

Que sou fã e defensor (quase nazi) do cinema brasileiro muitos (ex) amigos já testemunharam. Com isso, segue a postagem dos cinco melhores filmes brasileiros do ano, somadas as menções honrosas (já que não consegui ter acesso a todos). Vale a ressalva que consegui assistir a “Praia do futuro” e “Entre Nós”, sendo este a sexta colocação e aquele a sétima. As menções ficam pelos tão comentados e elogiados “Avante popollo”, “Eles Voltam”, “Os dias com ele”, “O homem das multidões” e “A Oeste do fim do mundo”. Só não cabe aqui o devir errôneo da comparação com outras obras estrangeiras para mostrar o quanto somos bons: a sétima arte brasileira é autêntica, respira asperamente pelos próprios pulmões e tem o talento marcante, preciso e inspirador para finalizar seus trabalhos com maestria. Não mendigamos influências.  Vamos a lista:



#5 Entre Vales (Amid Valleys and Mountains)

Coprodução alemã e uruguaia, “Entre Vales” foi exibido em festivais brasileiros, latinos e chegou até Seattle. Embora o que mais atraia na narrativa seja a forma não linear com que a vida de seu protagonista vai sendo desconstruída, vale mais pelas mãos precisas de seu diretor no domínio da câmera, emplacando quadros, destacando a fotografia tão bem trabalhada na obra. A história caminha pela falência financeira e moral do seu personagem até tirar todos seus sentidos de vida, mostrando que até no lixão existem disputas de poder e se luta por espaços. 


#4 Hoje eu quero voltar sozinho (The way He looks)

O representante do Brasil a concorrer uma vaga no Oscar 2015 (ao qual já não foi escolhida), embora não seja , de fato, o melhor filme brasileiro do ano, ainda assim é de uma qualidade inquestionável. Alcançando sua maior força na direção delicada e em suas atuações , o longa consegue , trabalhando com maestria os aspectos sensoriais, atravessar a tela e entregar ao público uma obra sensível sobre as descobertas da adolescência e as ligações dos medos e anseios que se embatem violentamente nessa fase vital. O filme totalizou 21 nomeações em festivais pelo Brasil e pelo mundo, vencendo 18 delas sendo duas no festival internacional de Berlim.



#3 O Menino e o Mundo (The boy and the World)

Grande e delicada animação de Alê Abreu, dona de uma direção de arte fantástica que contribui com a sensibilidade do universo criado para o personagem e para o espectador. A produção deixa sair de si um carinho e um capricho com a obra que atinge os níveis técnicos e resultam em uma das melhores obras brasileiras do ano. O longa , que usa da aura pura e ingênua de um menino para retratar a desigualdade social, obteve 8 nomeações, vencendo sete, sendo o de maior relevância o festival de Xangai, ao qual levou três prêmios. 


#2 Quando eu era vivo (When I was alive)

Filme exibido no festival de Roma e lançado em poucos estados aqui no Brasil, “Quando eu era vivo” é um desconcertante e estranho suspense brasileiro, que consegue fazer o espectador se estranhar com a obsessão de seu protagonista tem pelo passado, após estacionar a sua vida por se ver divorciado e desempregado. O filme toma rumos misteriosos, frutos da confusão entre delírio e realidade que todas as figuras passam a se encaixar. O valor da obra está justamente em conseguir esses efeitos mencionados, já que claramente eram ansiados pela produção. Seu roteiro sólido é o que o torna marcante.



#1 O Lobo atrás da porta (A Wolf at door)

O masterpiece brasileiro (E para mim e tantos outros, o melhor de 2014) fica por conta da tensão envolvente no thriller do diretor estreante Fernando Coimbra, protagonizado por Leandra Leal. O que a torna uma obra tão grande não está somente em sua história, mas sim como todos os componentes técnicos contribuem para o cheque-mate de seu final (E que final! Daqueles de levar para sempre na memória da angústia). O diretor extrai de seus atores o máximo de talento, antes jamais mostrados, num roteiro preciso e conciso, que trabalha muito bem com a simbologia do ambiente e a magnífica edição para montar a narrativa de modo visceral, cru e marcante. “O Lobo atrás da porta” encurrala o espectador em longas tomadas  e planos fechados que ao final da fita deixa a sensação que tentou nos enforcar durante horas. O filme e sua direção foram premiadas nos Estados Unidos e na Suiça, além de festivais latinos americanos, tendo oito nomeações, sendo premiado em sete delas. Uma obra para realmente ser colocada nos clássicos brasileiros.   

Powered by Blogger