Oscar 2009: O Leitor

Já percebemos que “O Leitor” não é mais um erro da academia ao colocá-lo entre os concorrentes, logo na primeira metade do filme. Depois de trabalharem juntos no “As Horas”, Stephen Daldry (Diretor) e David Hare (roteirista) voltam com mais um trabalho que vai além de um drama comum, nos remetendo a pensar no poder que temos com nossas atitudes, sejam elas colocadas para fora ou guardadas a sete chaves.

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Baseando-se no romance alemão “Der Vorleser” de Bernhard Schlink, a direção conduz o roteiro de maneira ágil e rodeando os mistérios da personagem Hanna Schmitz (Kate Winslet) que se tornam cada vez mais movimentados após conhecer e se envolver com Michael (Quando novo interpretado por David Kross). Os segredos envoltos de Hanna não são soltos facilmente para o espectador, pois são prolongados nos segurando na cadeira. A sua frieza, sua solidão, sua quietude e com uma demonstração de sofrimento nítida, ao qual nos roemos para saber do que realmente se trata.
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Para sentir as emoções que o filme emerge, existe uma variação das percepções do observador perante os atos da personagem principal. Há quem matará alguns porquês muito antes da própria história revelar e com isso pode não ter efeito algum, mas à ótima direção de Daldry consegue fazer algo que Amenabar fez em “Os Outros”, por exemplo: estava tudo tão evidente, fatores tão jogados a nossa cara, mas pela delineação tão segura do roteiro, faz essas evidências passar por despercebidas. Quando não isso, ao menos o diretor prolonga os segredos de Hanna ou quando percebemos de primeira a resposta da charada, Stephen ainda consegue emocionar com o clímax, mesmo que incontestável.
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Para que contestar a não indicação de Winslet por “Foi apenas um sonho”, quando aqui , em “O Leitor”, Kate consegue a sua melhor atuação? Sua incorporação à personagem é tão robusta que facilmente não será esquecida por nós, por sua encenação impecável de sua personagem tão enigmática. Os demais integrantes do elenco também estão muito bem e já valem por não deixarem apagar-se diante a perfeita interpretação de Winslet. A fotografia também tira proveito dos seus personagens geralmente despidos, em harmonia com a organização do cenário e suas luzes, além da ótima trilha sonora, bem constante durante a projeção.
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Assim como o vazio das personagens de “As Horas” atravessavam a tela e refletia em um bom número de pessoas, aqui Stephen Daldry também consegue esse ponto de maneira forte, mesmo que o motivo da figura de Hanna pareça fútil, ainda consegue impactar ao espectador que tem algo igual ou um pouco mais profundo guardado dentro de si.

Cotação: ロロロロ (Filme Ótimo)

E falando em "O Leitor"...

Nessa simpática interação entre a rede blogueira, tive a honra de ser indicado (Assim como fico honrado de indicar os meus favoritos) por gente que admiro muito, não só como pessoas (O que já é de extrema importância) mas também por tratar da sétima arte com tanto cuidado e estudo, que faz aprendermos uns com os outros. Os blogs de nível incontestável ao qual lembraram do Cine ao Cubo foram o Bit Of Everthing do Kau, Cena de Cinema da Cecilia Barroso, Cinema Para Todos do Ibertson, Portal Cine do Robson Saldanha, Sombras Elétricas por André Renato, pelo Wally do excelente Cine Vita e - para quem não sabe - por quem me incentivou a fazer um blog, o João Paulo crítico do Cine JP. Agora, minha vez.

And SELOS goes to...




O Oscar como Vilão



Não vem muito ao caso, mas acho que o problema não esta em “The Reader” ser indicado, mas sim no apenas correto “Frost/Nixon”, com isso muito podemos questionar a ausência de “O Cavaleiro das Trevas” dentre os indicados do Oscar deste ano. Embora existam vários motivos para embuti-lo nos concorrentes, as razões pela exclusão não é tão difícil de imaginar quando uma delas seria que numa diferença de apenas cinco anos teríamos mais um “papa-Oscar”(?). Porem, poderia também acontecer o mesmo que ocorreu em 1951 com “A Malvada” que recebeu 14 indicações (Recorde dividido com “Titanic”) que não levou nem metade do que poderia levar. Talvez, faltou coragem.

Outros questionamentos vêm do roteiro original de Woody Allen em “Vicky Cristina Barcelona” não ter sido lembrado. Allen já foi indicado quatorze vezes neste quesito e só levou dois, obter quinze seria um marco, mas perder treze nem tanto. Mas para quem de fato da importância a este prêmio tem que ter paciência (Como Nolan, por exemplo, uma pena). Um diretor paciente em enfrentar suas derrotas até um dia chegar a receber a estatueta foi Martin Scorsese que teve o seu primeiro em 2007, como melhor diretor com "Os Infiltrados" depois de cinco derrotas.

Saindo dos acontecimentos recentes, tiveram esnobações do Oscar que são clássicas como “Cidadão Kane” levar apenas o prêmio de melhor roteiro original, e deixar Jhon Ford levar a estatueta para casa com o filme “Como era verde o meu vale” de 1941. Outra curiosidade é saber que um dos mestres do cinema, que deu origem a um dos melhores gêneros dentro do espaço cinematográfico, que é o suspense de Alfred Hitchcock, nunca levou a premiação de melhor direção, tendo o único troféu com “Rebecca” de 1940, como melhor filme. Assim como Chaplin e Kubrick também não serem “lembrados” pela academia, esses fatores tão descarados provam que esse festival não serve como parâmetro há anos.

O Oscar como vítima...

As esnobações do mais famoso festival dentro do cinema mundial, sempre ganham mais destaques do que muitos outros fatores envolventes no mesmo. E assim talvez nem coloquem em pauta que a estatueta também já foi esnobada, mesmo que pouquíssimas vezes. Mas, algumas rejeições foram mais para criar um breve polêmica, como o escritor George Bernard Shaw , que em seu discurso, quando venceu a categoria de melhor roteiro por “Pigmalião”(1938) disse que o prêmio servia mais como um menosprezo ao seu trabalho do que uma homenagem. Mas, rumores dizem que George futuramente exibia a estatueta orgulhosamente. Mas, quem de fato não deu bola para o prêmio foi outro George... George C. Scott, ator do filme “Patton: Rebelde ou Herói?” que antes mesmo de ser indicado a qualquer prêmio disse que não iria receber, e dito e feito: em 1970, Scott não compareceu a premiação dizendo que sua vida não era uma competição. É, ele pode.


Oscar 2009: O Curioso caso de Benjamin Button

13 Indicações ao Oscar

No mesmo ano em que Richard Matheson escreveu o seu romance “The Shrinking Man”, o mesmo roteirizou o clássico “O Incrível homem que encolheu” de 1957, que relata a vida de um homem que a partir de um momento começa a diminuir. Agora, a respectivos oitenta e seis anos depois, é adaptado à novela “O Curioso caso de Benjamin Button” tendo como autor F. Scott Fitzgerald que conta a também bizarra vida de Benjamin, que já nasce aos seus oitenta anos e com o tempo a sua idade vai decaindo.
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O que faz de “Benjamin Button” um grande trabalho não é apenas a força de Fincher, pois fica nítido o dedo dos demais profissionais que o cercam, cada um fazendo a sua parte como Alexandre Desplat, responsável pela trilha sonora, que aproveita de músicas, para muitos, nostálgicas, como “My Player” dos The Plattlers e principalmente “ Twist and shout” dos Beatles ou as mais famosas musicas gospel dos Estados Unidos como “When the saints go marching”, popularmente conhecida apenas pelo nome de “The Saints”. Além dessas, Desplat (Que também compôs para “A Rainha” e “Syriana”) embuti canções sublimes ajudando Fincher nos emocionar por algumas situações irreversíveis e pela ode a vida que a história desata.
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Aos que se incomodam com a digitalização nas imagens de Fincher saibam que, de fato, aqui também estão presentes, mas de alguma forma, aqui, o diretor ainda aparenta um maior cuidado em utilizá-las e assim consegue alguns focos com decência. Porém, o seu companheiro de sempre, o diretor de fotografia Cláudio Miranda, que o acompanha desde “Seven” (pulando apenas “O Quarto do Pânico”) com essa harmonia esplêndida, consegue fotografar belamente desde os mais curtos espaços de um elevador ou o mais infinito dos horizontes, além de apoiar o roteiro descrevendo sucintamente a extração de uma mensagem real e presente, através de uma história ficcional.
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Ao saber da história, antes de ver o filme, bate aquela questão se realmente conseguiriam maquiar um “bebê velho” e ir rejuvenescendo o personagem, a ponto de deixar Brad Pitt mais novo do que Rick, o seu primeiro papel em 1987 por “O Príncipe das Sombras”, quando tinha vinte e três anos. Mas, o que há para duvidar quando a maquiagem está nas mãos da “Mova”, mesma equipe que trabalhou por “O Poderoso Chefão” e alguns filmes dos 007 ? Aliás, durante a projeção, Fincher sempre arranjando uma maneira de impacto para mostrar as mudanças físicas de Benjamin, com total efeito.
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Além da produção impecável do roteiro de Eric Roth, termos metafísicos ainda são encontrados. Algumas lendas rezam que os Astecas teorizavam que o Beija-flor representava a alma dos mortos que desciam a terra, e assim até hoje no México é o símbolo da morte e da ressurreição. Além de outros conceitos, tendo como o mais coerente com a história de que o Beija-Flor renova-se a cada ano.
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David e Eric Roth, não economizam em cada linha do conto, para transferi-lo a tela. Constroem cada personagem de maneira detalhada, independente da importância e da ordem cronológica de sua existência, cronologia essa que trás um Brad Pitt mostrando uma atuação primorosa pelas mudanças de aspectos que a história exige, o mesmo para a ótima Cate Blanchett. Ao trazerem para a realidade, a narrativa poetiza o tempo e a nossa vida através de uma influência indireta, que nos faz ter vontade de rever a película, mesmo que ela dure quase três horas.
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Rejuvenescendo a cada dia como um Beija-Flor...
Um destino tão inevitável, como um furacão: Como deve ser viver sabendo exatamente quanto tempo terá de vida?

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