"... Mundo das influências"

Numa época em que todos nós sabemos que falta originalidade em Hollywood e assim sobram “Remakes” e seqüências desnecessárias, detectamos histórias atuais que nos remetem a lembranças de obras antigas. Porem, isso não chega a ser uma completa falta de criatividade nas cabeças dos roteiristas de hoje, quando seus trabalhos surtem efeitos não muito diferentes de longas elaborados há décadas atrás.

Para quem viu “Os Inocentes” (The Innocents 1961) e “Os Outros” ( The Others 2001), independente da ordem, há de se reparar a forte semelhança entre ambos, mas não deixando de admirar onde cada um cresce e se tornam Obra-prima (Como “Os Inocentes”) ou trabalhos memoráveis que chegam próximos a perfeição (Como “Os Outros”)



Os Inocentes ( The Innocents 1961)

Uma das razões mais fortes do medo é o desconhecido e a incerteza. Com base na história de Henry James, o diretor Jack Clayton faz uma completa utilização da câmera para transmitir o horror, um profundo e ambíguo uso do roteiro em seus personagens aparentemente angelicais, mas que nos deixam intrigados por serem os pivôs das causas incertas que nos remete ao receio.
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Deborah Kerr simplesmente não atua, mas incorpora uma figura que tenta ser perfeccionista ao máximo para cumprir a árduo papel de cuidar de duas crianças, Martin Stephens e Pamela Franklin , que cravam uma das melhores atuações mirins, na história do cinema. Ambos têm que passar uma impressão de inocência, mas também atuar como seres dispostos para o mal. Fantástico!
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Ainda que o drama psicológico nos estarreça, “Os inocentes” contem fatores fortes para um longa verdadeiramente de horror: trilha sonora aterradora, fantasmas em efeitos equilibrados ou praticamente nulos, além do clima anti-natural que cresce a cada segundo de seu decorrer.

Obra-prima!

Cotação: ロロロロロ( Filme Excelente)


Os Outros (The Others - 2001)
Alejandro Amenabar não precisou de muito: três protagonistas, uma casa e um mistério. O suspense cerca a incerteza e a incompreensão, tanto a nossa quanto a de seus respectivos personagens, além de não dar confiança ao gore, violência e efeitos especiais para nos deixar horrorizados lançando uma curva chocante, fazendo nos repensar em tudo que passou.
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Com um roteiro bem delineado pelo próprio diretor e com uma brilhante atuação de Nicole Kidman (saudades daquela época, em relação à atriz), Alejandro deixa tudo mais significativo, assim não deixando nada ao acaso. “Os Outros” nos mantém, literalmente, no escuro, dessa maneira apoiando ainda mais a relação do espectador e o interior do filme, ainda que por vezes contenha "cenas" previsíveis.
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Embora não seja exatamente uma obra-prima, “The Others” pode ser considerada uma jóia surpreendente que você pode encontrar em um ano em que um gênero ficava cada vez mais cansado. Sendo assim, é um horror moderno com um toque antiquado, com base no suspense para gerar medo.
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Cotação: ロロロロ (Filme òtimo)

“...Expectativas Desleais.”

“Espelho do Medo”- 17/Out/08 e “Os Estranhos”- 07/Nov/08


“Espelho do Medo” e “Os Estranhos” estão sendo aguardados por muitos fãs do gênero terror/suspense. Um por ser um filme de um diretor que já demonstrou força em “Alta Tensão” e “Viagem Maldita”, o jovem francês Alexandre Aja, e o outro por conter um marketing fortíssimo que equivale à maior porcentagem de sua arrecadação, sem sombras de dúvidas. Os produtores de “Mirrors” foram malandros: um Marketing pretensioso, soltando uma imagem atraente de uma banheira com sangue e um vídeo de cinco minutos que ilude a muitos, além do trailer. Mas ninguém foi mais sagaz que “The Strangers”. Uma semana antes de sua estréia nos E.U.A , foram divulgados seis clipes que nos dava a impressão de vermos um dos filmes mais tensos dos últimos anos, além de dois trailers medonhos (principalmente o primeiro teaser) e mais nove pôsteres, que atrai até quem não favorece ao gênero. Resultado? Nove milhões de dólares gastos e 54 milhões arrecadados em algumas semanas, só nos Estados Unidos.

E esses são os que vão sugar os fãs brasileiros desavisados para o cinema, nos dois próximos meses, para o azar de quem for esperando algo de ambos os filmes.


"Espelhos do Medo" (Mirrors - 2008 )
CGI é algo curioso. Enquanto alguns filmes utilizam e nos dão a impressão de ser tudo real (como em "Jurassic Park", por exemplo, o primeiro filme a usar esse efeito em animais) outros retiram qualquer sensação, seja ela visual ou emocional. E isso inexplicavelmente é o que ocorre na segunda “melhor” piada do ano ( A primeira fica com Shyamalan, em “Fim dos Tempos”) elaborada por Alexandre Aja em “Espelhos do Medo”.

“Mirrors” não é só uma decepção, mas é um filme que junta tudo o que os precários longas de horror nos mostra (em especial, outras refilmagens asiáticas). Principalmente, por Aja invalidar todos os elementos cautelosos que o original, "Espelho" (Geoul sokeuro / Into the Mirror - 2003), cuidadosamente conduziu nos seus 110 minutos decorrentes sem chegar perto de ser irritante ou cansativo, diferente de sua refilmagem.

As cenas que Alexandre Aja aqui utiliza, quando não tomam partido por qualquer momento que contem alguma tensão, ou uma computação gráfica decente que só serviu para provar que as imagens soltadas antes do lançamento do filme, eram para enganar bobos, ainda mais quando são estragadas por um Kiefer Sutherland histérico e incomodativo, por uma Paula Patton patética ou por crianças que só não são mais irritantes que o próprio longa.

M. Night Shyamalan e Alexandre Aja, dão as mãos este ano, em fazerem um trabalho que mais parece política no Brasil: Uma vergonha e uma piada.


Cotação: ³ (Filme Ruim)




"Os Estranhos " ( The Strangers - 2008)

Uma campanha de divulgação instigante, pôsteres tentadores e trailers idem. No filme, clima presente, câmeras bem encaixadas e organizadas, iluminação em ordem, fotografia decorosa, edição de som muito boa, a bela Liv Tyler e uma trilha sonora inventiva... Mas, onde enfiaram o bendito roteiro?!

Assim como “The Strangers” não tem um mínimo de contexto, não nos resta o que falar. Se você já viu “Temos Vagas” e/ou “Eles”, é “um dos” motivos de como é dispensável ver esse longa. A não ser que queiram ver vilões diferentes: Temos um que corre como se fosse o “Super Sonic”, outra fantasiada de “Luluzinha” e uma loira do cabelo espantado que lembra algum bichinho do “Looney Tunes” . É Previsível e seus personagens brincam de fazer tolices. Tyler razoável e Scott Speedman parecia ter vergonha do que estava fazendo... E com razão.

O final é um desacato. Desrespeitoso. E o filme um vazio.

Cotação: ³ (Filme ruim)



Evil - Raizes do Mal (Ondskan - 2004 )


Na Suécia, a política predomina o sistema monárquico constitucional parlamentarista, ou seja, onde há o predomínio do parlamento nos negócios públicos, porem com um limite dado por uma certa constituição. Erik Ponti (Andreas Wilson) é fisicamente castigado por seu pai dia-a-dia e participante de brigas extremamente violentas em uma escola estadual. Por esses comportamentos “D”, o garoto de 16 anos é transferido para Stjärnberg , um famoso colégio privado, onde tem o intuito de deixar essa veemência ativa de lado, porém mal sabe ele que a violência estará ao seu redor de maneira injusta e fria.

Antes de tudo, o diretor Mikael Håfström ( 1408 ) nos coloca em uma situação curiosa: o mesmo menino que apanha severamente de seu pai, espanca impiedosamente um adolescente, até deixá-lo com o rosto irreconhecível. Portanto, de quem ter compaixão? Porém, o personagem Erik , interpretado por Andreas Wilson que desempenha da maneira mais convincente possível e não há qualquer razão para duvidarmos de sua capacidade e de que pode ir muito além, coloca a paciência em primeiro lugar depois de ser transferido , mas que não perde a ira para ao menos tentar reverter toda a frieza e desumanidade que habita aquele colégio.

Da parte técnica não há o que se queixar. Com uma trilha sonora que reserva espaço ao Rock dos anos 70 , principalmente com citações a Elvis Presley , Håfström ainda utiliza musicas locais e feitas exclusivamente para o longa. Além de câmeras acompanhantes e focos planeares, ambos em movimentos padronizados.

“Evil- Raízes do mal” têm o seguinte defeito: o desfecho seco. Durante boa porcentagem do desenvolvimento do filme sentimos toda a profundidade e substância que esperávamos depois dos primeiros minutos de duração, mas Mikael diminui a perspicácia que nos adentrava. Fazendo assim, um final insípido, mesmo terminando de uma maneira acessível.

Mesmo deixando de obter um epilogo “Powerfull”, esse filme ( candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004) nos deixa estagnados assistindo a uma transformação dolorosa do personagem e ainda com um gosto de esperança na ponta da língua.
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Cotação : ロロロ+ (Filme muito bom)

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