Entre os muros da Escola (Entre les murs)


Há quem se surpreenda com um filme francês demonstrar o que acontece no dia a dia nas escolas públicas de seu país, quando este contém um desenvolvimento considerável em suas rendas. Mas, caso pensem que o diretor Laurent Cantet usa suas câmeras para seguir o que o próprio título já nos diz ou apenas como referência à sua nação, engana-se, pois “Entre os muros da escola” ultrapassa fronteiras e registra algo praticamente universal.
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O que há de surpreendente neste filme é o elenco ser totalmente amador, tendo o nome dos personagens como o mesmo dos atores e por ir além de uma atuação qualquer, onde dão uma sensação de realidade extrema em que faz a câmera de Cantet parecer extremamente documental, como se elas estivessem pregadas as paredes da sala e os alunos estivessem sendo monitorados. E por essa proximidade da câmera mesmo, mostra a capacidade do elenco em seus primeiro filme e também por estarem se auto retratando em película de forma precisa.
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O que se extrai do filme é tão amplo quanto às polêmicas referentes às escolas públicas existentes. Talvez, os reflexos sociais que cada personagem representa e é minuciosamente explícito não venha apenas do Professor Marin (Que também escreveu o livro ao qual o longa baseia-se), mas sim dos sociólogos das décadas de trinta como Emile Durkheim e alguns mais recentes como Davaillon e Van Zanten, onde o reflexo de fatores extrínsecos aos que se vê no filme estão diretamente ligados as atitudes dos alunos dentro de sala,pois a força das situações sociais atuam de forma veemente em cima dos membros das escolas públicas. Mas, são automáticas as referências dos sociólogos em cima do que acontece no filme, mas não deixa de ser uma soma.
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Laurent ainda registra o que é muito comum pela França: estudantes estrangeiros, em sua maioria, de forma impreterível têm em seus estudos o fracasso como resultado final. Isso está representado principalmente pelo novato Carl, que desde o principio já são soltos termos de sua vida como reflexo de suas atitudes dentro do colégio. Outra observação são os equívocos no método de ensino usado nas escolas (Uma das coisas que mais se assemelha com o Brasil) que logo fazem os alunos tomarem certas atitudes descompromissadas com a aula, por serem mal elaboradas. Isso me fez lembrar do livro francês chamado Le Tour de la France par deux enfants (Que foi reescrito por Bilac aqui no país, com o nome de “Através do Brasil”) onde seu caráter pedagógico mostra a cautela que deve ser tomada numa sala de aula e que temos que usufruir de uma forma mais divertida para ensinar os alunos. Agora entendo melhor a intenção do livro.
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O final de “Entre os muros da escola” fez-me lembrar do sistema abordado na Coréia do Sul. As salas vazias e o barulho do pátio onde jogavam futebol e todos se divertiam, remete ao que os sul-coreanos fazem nas mais de oito horas de aula que seus alunos possuem, com divertimentos que não deixa de lado que o adolescente aprenda o que deva ser aprendido (Se não o Professor é demitido e deixa de ganhar o seu excelente salário), mas melhor ainda seria que estudantes daquele colégio (que representam muitos outros) percebessem que a mesma força que eles tinham em suas expressões com os professores, poderia servir como escudo para mudar a situação de suas vidas para o futuro em relação à falta de atenção que lhes são concebidos como cidadãos.
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Estrutura simples, mas que consegue perfeição em seu conteúdo.

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Cotação: ³ ³ ³ ³ (Filme Ótimo

7 Response to "Entre os muros da Escola (Entre les murs)"

  1. MUITO SE TEM FALADO (E BEM) DESSE FILME... TÔ CURIOSO.

    ABRAÇOS

    Se o filme for tudo isso que vc fala... esse eu vou assitir.
    Interessante a relação que vc faz entre o filme e a realidade pedagógica brasileira.

    Ainda não vi. Já me disseram inúmeras vezes: vai, ver, é demais! e eu, nada. Foi a mesma coisa com É proibido proibir que trata de educação também. Quem quando sair o DVD eu me animo.

    Wally says:

    Como derradero fã do cinema francês, este é obrigatório. Vou procurar vê-lo em breve.

    Ciao!

    É sensacional, realmente!

    Luís says:

    Eu tenho estado - acredito que desde que comecei a gostar de cinema - entravado no cinema americano, praticamente desconhecendo outroas obras oriundas de outros países, incluindo o meu próprio.
    A sua crítica acerca de "Entre os Muros da Escola" me deixou curioso para vê-lo e também creio que seja ele um dos que liderá o caminho rumo a um cinema bem diferente do estadunidense.
    Vou procurá-lo na locadora para assistir.
    Eu realmente gostei do seu Blog e vou visitá-lo mais vezes.
    ;)

    Eu gosto desse filme. Só não acho genial ou que tenha merecido o premio em cannes.

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